segunda-feira, 18 de maio de 2009







Efeitos do manejo do solo e da adubação orgânica

O presente trabalho teve como objetivo comparar a eficiência do plantio direto (PD), preparo convencional (PC) e os efeitos
residuais de esterco bovino e de galinha na umidade do solo e no rendimento do algodão, em um Neossolo Flúvico. O
experimento foi conduzido na Fazenda Experimental da UFC, em Pentecoste, CE. Os tratamentos testados, foram: algodão
cultivado em sistema de plantio direto, utilizando-se 50 e 100 t ha-1 de esterco bovino (EBPD e 2EBPD) e 14,3 t ha-1 de
esterco de galinha (EGPD); algodão cultivado em sistema convencional, com as mesmas doses de esterco bovino (EBPC e
2EBPC) e de esterco de galinha (EGPC) adotados no plantio direto. Avaliaram-se: altura de plantas, número de maçãs por
planta, matéria seca da parte aérea, massa de capulho por planta, número de sementes por planta, massa de sementes e
determinação da umidade do solo. O PD superou o PC no rendimento do algodão e melhorou a conservação da água e do solo
e o seu uso pelas plantas. Em ambos os sistemas de manejo, o esterco de galinha foi o responsável pelos maiores aumentos,
em todas as variáveis analisadas no algodão.

ADUBAÇÃO NITROGENADA NA SUCESSÃO BRAQUIÁRIA/ALGODÃO EM SISTEMA PLANTIO


O nitrogênio (N) é o nutriente absorvido em maior quantidade pelo algodoeiro e o seu
manejo em sistema plantio direto com integração lavoura-pecuária precisa ser aprimorado. O objetivo
deste trabalho foi avaliar a eficiência da antecipação de 25%, 50%, 75% e 100% da adubação
nitrogenada de cobertura do algodoeiro (dose única de 120 kg/ha de N) para o pré-plantio na gramínea
antecessora (Brachiaria brizantha), ou na sua palha, e o restante em uma ou duas adubações de
cobertura, comparada com a adubação convencional em duas aplicações de cobertura. Para isso,
conduziu-se um experimento de campo em Montividiu, GO, na safra 2005/2006, cujos tratamentos
foram dispostos em delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições. A adubação nitrogenada
proporcionou aumento de produtividade de 16,7% de algodão em caroço e 17,8% de pluma.
Independentemente da época de aplicação, a antecipação da adubação do algodoeiro para o préplantio
proporcionou a mesma produtividade que a adubação convencional e, adicionalmente, maior
produção de palha, incorporação do nitrogênio aplicado na biomassa (planta de cobertura, biomassa
microbiana) e liberação controlada do N pelo processo de mineralização, possibilitando a sua absorção
pelas plantas do algodoeiro no período de maior exigência.
Palavras-chave: Gossypium hirsutum, nitrogênio, épocas de aplicação, biomassa microbiana do solo

como funsiona o sistema do plantio direto

Quinze a 20 dias após o plantio do milho introduz-se a Brachiaria brizantha juntamente com a adubação de cobertura, semeada na entrelinha. Essa Brachiaria vai germinar cerca de 15 a 20 dias depois de plantada, sem competir e sem interferir na produtividade do milho, e vai permanecer subdesenvolvida, de certo modo suprimida, no meio da cultura, que deve se desenvolver normalmente no verão.
Quando chegar em março/abril, o milho vai ser colhido e a Brachiaria que estava subdesenvolvida passa a receber toda luz solar, expressando todo seu potencial de crescimento e desenvolvimento, com muita agressividade. Então em 30 dias, essa cultura estará fechando o solo, gerando uma massa de cobertura capaz de permitir a lotação de pelo menos duas ou até três unidades de animais (UA) com 450 kg de peso cada uma, por hectare. Podem ser garrotes, bezerros, bois magros para engorda, que vão crescer e se desenvolver de maio a setembro.
Esse trabalho, segundo o executivo do Grupo, permite duas coisas principais. No aspecto econômico gera uma produção agropecuária que vem pela produção do milho, seguida de uma produção de carne, o que aumenta a renda agrícola por unidade de área. Em segundo lugar, do ponto de vista técnico-agronômico, a produção de massa, de cobertura para o solo, vai enriquecê-lo com matéria orgânica, seqüestrar carbono, reciclar nutrientes, conservar a umidade do solo, e outros benefícios igualmente importantes.
Na experiência do Grupo Ma Shou Tao, no primeiro ano de trabalho, uma sociedade foi estabelecida onde um parceiro entrava com os bois, e do ganho de peso obtido por unidade de área 55% ficou para o Grupo e 45% para o parceiro, respectivamente. Com essa parceria, investindo por volta de 270 a 300 reais por hectare em semente, construção de cercas, manejo de gado, sal mineral, mão-de-obra, conseguiu-se aumentar o equivalente a 13% líquido do equivalente em milho. "Digamos que eu colhi 100 sacos de milho; é como se eu tivesse colhido 113 sacos, ou 13% a mais na minha renda com milho. Se fosse equivalente em soja, seria o equivalente a 20% da renda líquida. Então isso já provou a alta viabilidade desse sistema", garante Jônadan.
No segundo e terceiro anos o sistema de parceria apontou resultados ainda melhores, saltando de 780 gramas de ganho de peso/dia, para 890 gramas de ganho de peso diário, com produção de 10 toneladas de matéria seca por hectare, no período de maio a setembro. No último ano a agropecuária já introduziu bois próprios, mas manteve ainda uma porcentagem em parceria, obtendo uma receita líquida de 1.005,00 reais por hectare (fechada em maio de 2007), o que equivale a uma produção de 145 sacas de milho naquela gleba, cotada a 18 reais a saca.
Além dos benefícios de produzir na entressafra, de gerar resultados econômicos e agronômicos, e de permitir maior flexibilidade ao produtor na tomada de decisões com a manutenção da renda ou eventualmente com renda até maior, a integração lavoura/pecuária, na análise de Jônadan, também liberta o agropecuarista, da pressão de se ver obrigado a plantar, podendo simplesmente continuar com o boi, sem queda na renda.
Para ele trata-se de uma tecnologia que existe desde a década de 90, e que só agora está em evidência porque a crise mostrou que a diversificação é importante, a integração é fundamental para o sistema de plantio direto e para a sustentabilidade da agricultura, a verticalização é importante, e a profissionalização da gestão é algo que não pode mais ser ignorado. "Hoje eu não sou mais pecuarista ou lavourista, eu tenho que me auto-intitular empresário do agronegócio. Eu tenho que plantar soja se ela for importante para o sistema. Eu posso produzir boi porque ele é importante para o sistema. Então, hoje eu não penso mais em lavoura sem pecuária, ou pecuária sem lavoura, os dois tem que conviver pacificamente e integrados", disse o diretor do Grupo Ma Shou Tao aos participantes do Simpósio sobre Plantio Direto na Palha.
Embora a pecuária de leite não tenha sido arrolada no relato, o empresário adverte que ela também participa da integração. A agropecuária mantém confinamento e trabalha em cima de uma área de pasto irrigado. A integração se dá na utilização dos resíduos de soja, no processamento da semente de soja, do milho que é produzido na fazenda e utilizado tanto na forma de grãos quanto de silagem.

sistema do plantio direto

O Sistema Plantio Direto (SPD) é um sistema de manejo do solo onde a palha e os restos vegetais são deixados na superfície do solo.O solo é revolvido apenas no sulco onde são depositadas sementes e fertilizantes. As plantas infestantes são controladas por herbicidas. Não existe preparo do solo além da mobilização no sulco de plantio.
Considera-se que para o sucesso do sistema são fundamentais a rotação de culturas e o manejo integrado de pragas, doenças e plantas invasoras.
Amendoim no sistema plantio direto sobre pastagem
Reduzir a erosão, melhorar as condições físicas e de fertilidade do solo, aumentar o teor de matéria orgânica, nutrientes e água armazenada no solo e diminuir o consumo de combustíveis com a manutenção da produtividade das culturas indicam o SPD como o sistema para alcançar a sustentabilidade da agricultura, com redução dos impactos ambientais.
Desde 2001, o SPD brasileiro é indicado pela FAO (Fundo das Nações Unidas para a Agricultura) como modelo de agricultura.
Vantagens Agronômicas
- Controle da erosão.- Aumento da água armazenada no solo.- Redução da oscilação térmica.- Aumento da atividade biológica.- Aumento dos teores da matéria orgânica.- Melhoria da estrutura do solo.
Controle da erosão
O SPD é um sistema de manejo muito eficiente no controle da erosão. A palha sobre a superfície protege o solo contra o impacto das gotas de chuva, reduzindo a desagregação e o selamento da superfície, garantindo maior infiltração de água e menor arraste de terra. As perdas de nutrientes, proporcionais às perdas de terra e água, são também menores no SPD. Considerando a área ocupada por culturas anuais no Estado de São Paulo, cerca de 2.800.000 ha, calcula-se que, sob sistemas convencionais de cultivo, seriam perdidas, anualmente, 33 milhões de toneladas de terra e 4 3 bilhões de m de água na forma de enxurrada. Em SPD essas perdas anuais seriam reduzidas significativamente.
Sistema Convencional com processo de erosão
O SPD reduz até em 90% as perdas de terra e até em 70% a enxurrada.
Temperatura e umidade do solo
O SPD se beneficia com a cobertura do solo pela palha e com a pouca mobilização da superfície. Com o aumento da cobertura de 30% para 80%, a temperatura da superfície é reduzida até em 4 ºC e a oscilação da temperatura do solo durante o dia também diminui, com benefícios para o desenvolvimento das plantas. Com uma cobertura morta de cerca de 70%, a evaporação do solo reduz-se para cerca de 1/4. Assim, a retenção de água é maior, podendo representar uma economia até de 30% de água em algumas áreas de produção irrigada ou a manutenção da produtividade em áreas de sequeiro quando ocorrem veranicos.
Manutenção da fertilidade
No SPD há aumento dos teores da matéria orgânica no solo.
Esse aumento resulta em melhoria de estrutura, aumento da atividade biológica e da disponibilidade de nutrientes, como fósforo e cálcio.
Todos esses fatores contribuem para o aumento no rendimento das culturas e possibilitam a redução da aplicação de fertilizantes, especialmente os fosfatados.
Vantagens econômicas e operacionais
- Economia de combustível.- Aumento da vida útil das máquinas.- Necessidade de menor volume de chuvas para o trabalho da terra.- Maior controle sobre a época de semeadura.- Possibilidade de economia de fertilizantes.
O custo de produção no SPD é cerca de 6% a 14% mais baixo que nos sistemas convencionais. A economia de combustível é um dos fatores que mais contribuem para a redução dos custos, pois o consumo de diesel chega a ser 70% menor.
Sem aração e gradagens, a potência requerida para tratores é 30 % a 60 % menor, com aumento da vida útil de máquinas e implementos.
Com o SPD o planejamento das épocas de plantio pode ser executado com maior precisão atendendo às necessidades das culturas da safra e safrinha
Vantagens ambientais
- Diminuição no consumo de petróleo (combustíveis fósseis).- Seqüestro de carbono pelo aumento do estoque de carbono no solo e da matéria orgânica em decomposição na superfície.- Redução das perda de solo por erosão, do assoreamento e da poluição difusa que atinge reservatórios e cursos de água.
O que é preciso para entrar no sistema plantio direto
- Qualificação e treinamento.- Correção inicial da área.- Equipamentos adequados.- Manejo correto de infestantes.- Definição de culturas adequadas para rotação e cobertura do solo.
A adoção do SPD possibilita uma agricultura mais sustentável, com menor impacto sobre o ambiente e altos rendimentos de produção.
Informações
Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Solos e Recursos AmbientaisFone/Fax: (19) 3241-5188 ramal 302E-mail: solos@iac.sp.gov.br
INSTITUTO AGRONÔMICO
Centro de Comunicação e Transferência do ConhecimentoAv. Barão de Itapura, 1.481Caixa postal 2813020-902 Campinas (SP) BrasilFone: (19) 3231-5422 (PABX)Fax: (19) 3231-4943www.iac.sp.gov.br

SISTEMAS DE PRODUçãO EM PLANTIO DIRETO

O novo sistema de produção estabelecido, indutor de uma expansão indiscriminada de fronteiras agrícolas e de uso intenso do solo, produziu, num primeiro momento, a sensação de um negócio agrícola rentável e promotor de desenvolvimento regional e, num segundo momento, transformou-se na principal causa de degradação dos solos dessas regiões. A falta de consciência conservacionista, o incipiente domínio dos problemas implicados no processo de erosão hídrica e a predominância de políticas agrícolas imediatistas voltadas à exportação, ofuscando a percepção diferencial entre o conservacionismo do potencial produtivo e a oportunidade do negócio rentável, condicionaram essa sucessão de culturas a métodos inadequados de manejo de solo, diante das condições ambientais das regiões cultivadas, envolvendo queima de resíduos culturais, mobilização intensa de solo e uso de terras inaptas às culturas anuais. Esse processo de degradação tornou-se ainda mais grave a partir do momento em que a cultura de trigo, por problemas fitossanitários, passou a ter participação limitada no sistema, reduzindo-o ao monocultivo de soja.
Atualmente, ao analisar esses sistemas de produção, praticados diante de uma realidade agrícola altamente demandante e dependente de insumos, movida por tecnologias específicas e descomprometidas com as condições ambientais, percebem-se claramente as inúmeras características que o enquadravam num verdadeiro modelo reducionista de desenvolvimento agrícola.
A segunda etapa desse processo evolutivo transcorreu no período compreendido entre o final da década de setenta e meados da década de oitenta. Nesse período, embora o terraceamento continuasse sendo o principal indicador da presença de ações conservacionistas de solo, a manutenção dos resíduos culturais na lavoura, a redução da intensidade de preparo de solo e a eliminação do pousio de inverno (descanso) constituíram marcos revolucionários nos conceitos de conservação do solo. As inovações experimentadas pelos sistemas de produção agropecuária nas regiões de produção intensiva de grãos do Brasil estão claramente relacionadas com a evolução tecnológica dos sistemas de manejo de solo praticados nestas regiões e não apenas dependentes da adoção do sistema plantio direto. A medida que os sistemas de manejo de solo foram evoluindo em seus aspectos técnicos, os sistemas agrícolas de produção foram, automaticamente, experimentando ajustes, estabelecendo quatro etapas distintas em relação ao desenvolvimento da agricultura regional e ao impacto ambiental, na busca da estabilização econômica do negócio agrícola.
A primeira etapa transcorreu no período compreendido entre meados da década de sessenta e final da década de setenta. As tecnologias de manejo de solo implementadas envolveram a melhoria da fertilidade do solo, mediante calagem e adubações fosfatada e potássica, terraceamento, principalmente com terraços tipo base larga, e semeadura em contorno.
A melhoria da fertilidade do solo, associada às condições favoráveis ao mercado de grãos e aos incentivos proporcionados pela política de crédito agrícola subsidiado, constituiu fator preponderante na introdução da cultura de soja nos sistemas tradicionais de produção agropecuária até então em uso nessas regiões do país. A soja, ao ganhar importância econômica, assumiu o comportamento de cultura pioneira, ampliando fronteiras agrícolas, não apenas nessas regiões, mas em inúmeras outras do país. Como fruto dessa eufórica atividade agrícola, com nítida tendência para um negócio altamente lucrativo, inúmeros sistemas tradicionais de produção agropecuária, bem como florestas e campos naturais, foram transformados em simples sucessão de culturas composta por trigo e por soja ou simplesmente soja sem rotação. A magnitude dessa mudança ficou estampada na paisagem dessas regiões, através da substituição intensiva dos sistemas tradicionais de exploração agropecuária e da vegetação natural por lavouras de trigo e de soja, generalizadamente seccionadas pela estrutura de terraços.

implementos do plantio direto

No sistema de plantio direto, se utilizam implementos próprios para o uso do mesmo. A semeadeira é diferenciada, contendo discos para cortar a palhada que recobre o solo, também existindo um disco que irá auxiliar o depósito de adubo e sementes no sulco do plantio. Já a colhedeira possui um picador de palhada, que irá auxiliar o direcionamento do fluxo de palha. Esse picador é diferenciado, pois através de um conjunto especializado de facas de aço que giram em alta velocidade, pica a palhada de tal sorte que irá produzir uma camada morta própria para o plantio direto.

beneficios do plantio direto

O plantio direto traz diversos benefícios que irão diminuir os custos de produção e o impacto ambiental, tais como a maior retenção de água no solo, menor compactação do solo, menor erosão, menor perda de nutrientes, economia de combustíveis (diesel) e menor número de operações, incluindo aí aração e gradagem. O que faz com que haja menor uso dos tratores e consequentemente menor desgaste.

plantio direto

Em algumas regiões do Brasil o plantio direto é conhecido há muito tempo, pois essa técnica foi introduzida no nosso país no início dos anos 1970 na Região Sul. Desde então, a adoção por parte dos agricultores tem sido cada vez mais crescente, alastrando-se até a Região dos Cerrados. Hoje, a área agrícola sob Plantio Direto no Brasil é de aproximadamente 9 milhões de hectares.
O Plantio Direto é a semeadura, na qual a semente é colocada no solo não revolvido (sem prévia aração ou gradagem leve niveladora), usando-se semeadeiras especiais. Um pequeno sulco ou cova é aberto com profundidades e larguras suficientes para garantir a adequada cobertura e contato da semente com o solo.
Note que no Plantio Direto não se usa os implementos denominados de arado e grade leve niveladora que são comuns na agricultura brasileira e no preparo do solo antes da semeadura. Aliás, uma vez adotado o Plantio Direto, ele não deve ser utilizado intercalado com arado, grade niveladora, grade aradora ( ou grade Rome). Devemos entender que a manutenção de restos de culturas comerciais (ex. trigo, milho) ou adubos verdes (ex. aveia, milheto) na superfície do solo é importantíssimo para o sucesso do plantio direto. Ou seja, a superfície do solo deve ficar grande parte coberta com palha. Esse requisito estando atendido, implementos sulcadores (ex. escarificador) podem ser utilizados para quebrar eventuais camadas de solo compactadas. Assim, o termo plantio direto ("direct drill" ou "siembra directa") é mais apropriado que o preparo zero ("no tillage" ou "cero labranza").
Visando diferenciar do Plantio Direto, para o solo onde se passa o arado e depois passa-se várias vezes a grade leve niveladora, diz-se que o solo está sob Plantio Convencional.
Para entendermos o aparecimento do Plantio Direto é preciso resgatar a História do Plantio Convencional, que é o preparo do solo para a semeadura e, basicamente, se trata de aração e gradagem. Um dos maiores benefícios do arado é o controle de plantas daninhas, onde, por possibilitar o revolvimento do solo, ele permite a eliminação de plantas que cobrem uma área e, assim, possibilitar a semeadura e o crescimento de uma determinada planta de interesse para o cultivo (ex. milho, trigo), livre de concorrência por água e nutrientes com outra planta não desejável (normalmente denominada planta daninha, erva daninha, inço ou mato).
O solo arado fica livre de plantas daninhas, mas, ao mesmo tempo, ele fica livre de qualquer cobertura vegetal. Numa região tropical, onde se tem chuvas fortes e concentradas num período do ano, essa situação é ideal para a ocorrência da erosão, pois o impacto da gota da chuva num solo descoberto resulta num encrostamento ou selamento da superfície do solo. A fina crosta que se forma é suficiente para diminuir a infiltração de água no solo. Assim, a água da chuva se acumula e forma a enxurrada que carrega solo, semente e adubo para rios e lagos.
No Plantio Direto o uso de herbicidas e uma semeadora específica, é possível semear milho, soja, feijão, trigo e aveia sem necessidade de preparar o solo, ou seja, sem aração e gradagem. Para se ter uma idéia do procedimento, na época de plantio, o agricultor aplica um herbicida e espera as plantas que ocupam a área sequem. Com o auxílio de um trator passa-se um rolo-faca ou uma roçadeira para espalhar a palha seca. Em seguida, com uma semeadora de Plantio Direto, semea-se determinada cultura (ex. soja) "rasgando-se" em linha a palha que cobre o terreno e depositando a semente e adubo no pequeno sulco. Grande parte do terreno fica coberto de palha (cobertura morta ou "mulch") e protegido da erosão, pois, se houver uma chuva forte, o impacto da gota da chuva será amortecido pela palha antes de atingir a superfície do solo.
Muitos agricultores que plantam milho, soja, trigo, feijão e arroz estão adotando o Plantio Direto, não apenas por isso, mas também, por ser um pouco mais rentável que o Plantio Convencional, porque:
devido à existência de palha cobrindo o solo, há melhor retenção de umidade havendo maiores rendimentos em anos secos.
não ocorre erosão e, assim, não há necessidade de replantio, que implica em novo preparo de solo com conseqüente maior gasto de combustível, sementes e adubos. Isto levará a um aumento considerável nos custos de produção e não livrará o agricultor de fracasso na safra devido ao plantio fora de época.
enquanto no Plantio Convencional é possível semear 3 a 6 dias após uma chuva forte, no Plantio Direto é possível semear 6 a 12 dias após uma chuva, resultando no aproveitamento de melhores épocas de plantio e no plantio de maior área no mesmo espaço de tempo, principalmente quando ocorrem chuvas esparsas.
Importante mencionar que o sucesso que o Plantio Direto vem obtendo se deve à intensa colaboração entre agricultores, pesquisadores, extensionistas e representantes de empresas privadas (ex. fabricantes de semeadeiras, herbicidas).
Devido aos aspectos de implantação, o Plantio Direto é de maior custo a curto prazo (até quatro anos), onde os custos resultantes do maior consumo de herbicidas podem superar a economia obtida pelo menor consumo de combustíveis e uso de horas-máquina. Entretanto, grande parte dos estudos comparativos não consideram fatores que poderiam reverter esse quadro, onde, no Plantio Convencional, normalmente há operações de replantio: novo preparo de solo, gastos em combustíveis, sementes, adubos, assim como também a perda de produção devido ao plantio fora da época.
Embora seja de custo relativamente mais alto nos primeiros quatro anos de implantação, é possível administrar este alto custo sem levar o empreendimento rural à bancarrota. O segredo reside na forma como o Plantio Direto é adotado. Outro aspecto importante é o fato de o Plantio Direto diminuir o consumo de herbicida com o passar dos anos, principalmente combinando Plantio Direto com rotação de culturas. Enquanto isto o Plantio Convencional mantém sempre o mesmo consumo, exceto quando há replantio, que, nesse caso, pode aumentar o consumo.
Não pretendemos aqui descrever todos os detalhes para a adoção do Plantio Direto, mas oferecer informações importantes. Cada propriedade agrícola (em alguns casos, cada gleba na propriedade rural) é um caso, ou seja, cuidado com as generalizações típicas dos famosos "pacotes tecnológicos". Devemos considerar que:1o.) O agricultor deve adquirir uma semeadeira de Plantio Direto e se informar sempre sobre o sistema que, pelo fato de se tratar de semear sem prévio revolvimento do solo, exigirá profundo conhecimento sobre o emprego de processos integrados de controle de plantas daninhas e manejo da palha. Há no Brasil diversas Associações de Plantio Direto, Clubes de Amigos da Terra e Instituições de Pesquisa e Extensão Rural que podem auxiliar em muitas dúvidas. Por exemplo:
2o.) Evitar implantar o Plantio Direto em toda a área da propriedade agrícola. Normalmente se implanta em aproximadamente 10% da propriedade. O tamanho da área deve levar em conta a capacidade técnico-econômica do agricultor em adequar a fertilidade química e física do solo, além do manejo da palha e principalmente do controle integrado de plantas daninhas, que envolve não apenas o uso de herbicidas, mas também o próprio manejo da palha;
3o.) Evitar implantar em solos mal drenados;
4o.) A adequação da fertilidade física consiste no seguinte:
Ausência de danos na estrutura do solo, como os ocasionados por colhedeiras ou caminhões carregados, operados em solos muito úmidos;
Solos cheios de sulcos ou valetas de erosão devem ser adequados ao uso desta técnica;
Eliminação da compactação do solo ou de camadas adensadas que afetam o rendimento das culturas. Normalmente, devido aos longos anos sob Plantio Convencional, onde a aração sempre é feita a uma mesma profundidade (18-20 cm), surge, nessa profundidade o que se chama de "pé-de-arado", que pode ser constatada cavando-se um pequeno buraco com um enxadão. Os primeiros 15 cm de solo serão facilmente removíveis, mas, ao se atingir a profundidade de 18 cm, o golpe do enxadão no solo sofrerá forte resistência à penetração devido à existência de uma camada mais adensada. Esta camada impede o crescimento radicular em profundidade, que é importante, pois, assim, a planta, que poderá absorver água de camadas mais profundas, pode sobreviver a uma situação de estiagem prolongada ou a um veranico. O rompimento dessa camada compactada pode ser feito através de uma aração a 25 cm ou escarificação
5o.) A adequação da fertilidade química consiste basicamente no seguinte:Antes de se iniciar o Plantio Direto deve-se fazer a correção da acidez do solo e a neutralização do alumínio trocável constatados pela análise do solo, através de uma incorporação, a mais profunda possível, de metade da quantidade necessária de calcário através da aração e outra metade através da gradagem;
6o.) Deve-se conhecer quais são as espécies de plantas daninhas existentes na área identificando aquelas que podem oferecer maior dificuldade no controle, devido às características da própria planta ou devido à intensidade de infestação;
7o.) Os cálculos de vazão e regulagem do pulverizador, além da escolha de bicos apropriados, devem ser feitos com bastante capricho;
8o.) A colhedeira deve ter um picador e distribuidor de palha;
9o.) O agricultor deve adotar a rotação de culturas, ao contrário de anos sob monocultura intercalada por pousio ou sucessão de culturas no estilo soja-trigo. A rotação de culturas implica em introduzir a adubação verde no inverno ou verão, intercalada com o plantio da cultura principal, visando formar palha ou cobertura morta (ponto imprescindível!!), que é uma grande arma contra o desencadeamento da erosão e favorece a retenção de água no solo por mais tempo. Uma cobertura espessa de palha (2-3 cm) também oferece auxílio no controle da infestação de plantas daninhas, através do impedimento da passagem da luz impossibilitando a germinação de sementes de plantas daninhas (ex. palha de aveia impede a germinação de picão-branco e serralha). Os adubos verdes eficientes na formação de palha são, por exemplo, as gramíneas como aveia (Região Sul) e milheto (Região Centro-Oeste). Outra função do adubo verde é poder propiciar economia na adubação nitrogenada. Por exemplo, as leguminosas como tremoço (Região Sul) e crotalária (Região Centro-Oeste) antecedendo a principal cultura (ex. milho) podem proporcionar um melhor aproveitamento do nitrogênio pelo milho.
10o.) O esquema de rotação de culturas deve ser bem planejado, considerando-se as características agroecológicas regionais e condições sócio-econômicas do agricultor. Deve-se procurar combinar plantas de adubos verdes de diferentes famílias (ex. gramíneas e leguminosas) com a cultura visando atender 3 requisitos básicos:
Favorecer o controle da erosão e o equilíbrio da fertilidade do solo;
Favorecer a produtividade das lavouras pela interrupção do ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas;
Assegurar a manutenção do balanço e reciclagem de nutrientes.